Diogo Silva

Projetos  /  06 · Investigação de mercado

Rural Move: ouvir
antes de decidir.

Estudo de mercado qualitativo sobre as Rural Experiences, uma semana de imersão num território rural pensada para trabalhadores remotos. Em grupo de cinco, e em parceria com a organização, desenhámos a investigação, conduzimos entrevistas, codificámos o material em NVivo e traduzimos os temas em seis recomendações práticas. O objetivo não era medir quantos, era perceber porquê.

Função

Investigação e análise de dados qualitativos

Método

Análise temática de Braun e Clarke · NVivo

Contexto

Estudos de Mercado · U. Maia, em parceria com a Rural Move · 2026

Equipa

Diogo Silva, Duarte Ribeiro, Rodrigo Polícia, João Miranda e Tomás Ferreira

Capa da apresentação do estudo de mercado sobre as Rural Experiences, com o logótipo Rural Move e uma fotografia de paisagem rural

Capa da apresentação do estudo, entregue à Rural Move. O trabalho é de cinco autores, para a unidade curricular de Estudos de Mercado da Universidade da Maia.

O desafio

Um produto novo,
sem procura conhecida

A Rural Move quer dinamizar territórios do interior e criou as Rural Experiences: uma semana de imersão com alojamento, coworking rural, atividades culturais, visitas a projetos locais e convívio com a comunidade. O problema de gestão era saber como transformar isso num serviço estruturado, escalável e financeiramente sustentável. A pergunta de pesquisa vinha a seguir: que segmentos têm mais potencial, que motivações e barreiras os movem, e o que diferencia esta proposta da concorrência. É um produto novo, sem histórico de vendas, por isso não havia números para analisar. Havia pessoas para ouvir.

O que fiz

Desenho do estudo e revisão de literatura

Definição do problema de gestão e do problema de pesquisa, modelo teórico com revisão de literatura, e questões de investigação. O desenho inicial era de métodos mistos, com uma fase qualitativa seguida de uma quantitativa.

Benchmarking de cinco iniciativas

Unsettled, Boundless Life, Cerdeira e Aldeias de Montanha, entre outras, comparadas por duração, preço, capacidade e modelo. Serviu para situar a proposta da Rural Move e para perceber o que já está resolvido no mercado.

Entrevistas semiestruturadas

Guião em quatro secções e entrevistas online de 30 a 45 minutos, em maio de 2026, com participantes recrutados por contactos institucionais da Rural Move.

Codificação e análise temática em NVivo

Análise temática de Braun e Clarke, nas suas seis etapas, com 17 códigos organizados em mapas hierárquicos e num project map. Os temas foram depois triangulados com dados secundários do INE, da PORDATA e de literatura académica.


A análise

De duas conversas a dezassete códigos

Três páginas do relatório. Os mapas mostram como o material das entrevistas foi codificado e agrupado; a tabela compara os dois participantes dimensão a dimensão.

O que o estudo não conseguiu. O desenho previa uma segunda fase, com questionário online, que não foi concluída por insuficiência de respostas. A fase qualitativa assentou em duas entrevistas, o que é pouco para generalizar: os resultados valem como hipóteses a testar, não como medida da procura. Por isso também a disposição a pagar ficou por quantificar, e está assumida como limitação no relatório.

Conclusões

O que os participantes disseram

Números do trabalho de análise, não da procura de mercado.

02

Entrevistas semiestruturadas, de 30 a 45 minutos

17

Códigos criados na análise temática

05

Iniciativas analisadas no benchmarking

06

Recomendações práticas entregues à Rural Move

Leitura

Os participantes valorizam sobretudo flexibilidade e autonomia, e a possibilidade de experimentar o interior sem compromisso permanente. As barreiras são concretas: incerteza quanto à internet e à infraestrutura, isolamento percebido, e falta de clareza sobre o que está incluído. A reação à proposta foi positiva, mas condicionada a garantias técnicas e a prova social. A lacuna mais apontada foi a ausência de acompanhamento depois da experiência. Daí saíram as seis recomendações: clareza do produto, testemunhos, a internet como argumento de venda, edições temáticas, um anfitrião local, e comunicação orientada para a conversão.

O que levo daqui

  • Um pico de alcance é um facto; a razão pela qual as pessoas agem é uma hipótese que só se confirma perguntando. Este projeto mudou a forma como olho para as métricas nos restantes trabalhos deste portefólio.
  • Recrutar participantes é metade do estudo. A fase quantitativa caiu por falta de respostas, e isso ensinou-me a tratar o recrutamento como parte do desenho, não como um detalhe de execução.
  • Dizer o que o estudo não conseguiu provar vale tanto como apresentar conclusões. Uma amostra pequena não invalida o trabalho, desde que o relatório seja claro sobre o alcance do que afirma.
O relatório completo, o guião de entrevista e as saídas do NVivo estão disponíveis a pedido. Escreve para diogopsilva1102@gmail.com.