A Rural Move quer dinamizar territórios do interior e criou as Rural Experiences: uma semana de imersão com alojamento, coworking rural, atividades culturais, visitas a projetos locais e convívio com a comunidade. O problema de gestão era saber como transformar isso num serviço estruturado, escalável e financeiramente sustentável. A pergunta de pesquisa vinha a seguir: que segmentos têm mais potencial, que motivações e barreiras os movem, e o que diferencia esta proposta da concorrência. É um produto novo, sem histórico de vendas, por isso não havia números para analisar. Havia pessoas para ouvir.
Projetos / 06 · Investigação de mercado
Rural Move: ouvir
antes de decidir.
Estudo de mercado qualitativo sobre as Rural Experiences, uma semana de imersão num território rural pensada para trabalhadores remotos. Em grupo de cinco, e em parceria com a organização, desenhámos a investigação, conduzimos entrevistas, codificámos o material em NVivo e traduzimos os temas em seis recomendações práticas. O objetivo não era medir quantos, era perceber porquê.
Capa da apresentação do estudo, entregue à Rural Move. O trabalho é de cinco autores, para a unidade curricular de Estudos de Mercado da Universidade da Maia.
O desafio
Um produto novo,
sem procura conhecida
O que fiz
Desenho do estudo e revisão de literatura
Definição do problema de gestão e do problema de pesquisa, modelo teórico com revisão de literatura, e questões de investigação. O desenho inicial era de métodos mistos, com uma fase qualitativa seguida de uma quantitativa.
Benchmarking de cinco iniciativas
Unsettled, Boundless Life, Cerdeira e Aldeias de Montanha, entre outras, comparadas por duração, preço, capacidade e modelo. Serviu para situar a proposta da Rural Move e para perceber o que já está resolvido no mercado.
Entrevistas semiestruturadas
Guião em quatro secções e entrevistas online de 30 a 45 minutos, em maio de 2026, com participantes recrutados por contactos institucionais da Rural Move.
Codificação e análise temática em NVivo
Análise temática de Braun e Clarke, nas suas seis etapas, com 17 códigos organizados em mapas hierárquicos e num project map. Os temas foram depois triangulados com dados secundários do INE, da PORDATA e de literatura académica.
A análise
De duas conversas a dezassete códigos
Três páginas do relatório. Os mapas mostram como o material das entrevistas foi codificado e agrupado; a tabela compara os dois participantes dimensão a dimensão.
Conclusões
O que os participantes disseram
Números do trabalho de análise, não da procura de mercado.
Entrevistas semiestruturadas, de 30 a 45 minutos
Códigos criados na análise temática
Iniciativas analisadas no benchmarking
Recomendações práticas entregues à Rural Move
Leitura
Os participantes valorizam sobretudo flexibilidade e autonomia, e a possibilidade de experimentar o interior sem compromisso permanente. As barreiras são concretas: incerteza quanto à internet e à infraestrutura, isolamento percebido, e falta de clareza sobre o que está incluído. A reação à proposta foi positiva, mas condicionada a garantias técnicas e a prova social. A lacuna mais apontada foi a ausência de acompanhamento depois da experiência. Daí saíram as seis recomendações: clareza do produto, testemunhos, a internet como argumento de venda, edições temáticas, um anfitrião local, e comunicação orientada para a conversão.
O que levo daqui
- Um pico de alcance é um facto; a razão pela qual as pessoas agem é uma hipótese que só se confirma perguntando. Este projeto mudou a forma como olho para as métricas nos restantes trabalhos deste portefólio.
- Recrutar participantes é metade do estudo. A fase quantitativa caiu por falta de respostas, e isso ensinou-me a tratar o recrutamento como parte do desenho, não como um detalhe de execução.
- Dizer o que o estudo não conseguiu provar vale tanto como apresentar conclusões. Uma amostra pequena não invalida o trabalho, desde que o relatório seja claro sobre o alcance do que afirma.